Me chamo Adalberto Kassov, tenho 29 anos, sou natural de Porto Alegre. Apesar de ser filho adotivo, tive muitas oportunidades: estudei em bons colégios, escolinha de natação, escolinha de futebol. Entretanto, com apenas 11 anos de idade, no final de uma partida de futebol, experimentei droga pela primeira vez, comecei com inalantes, passando para o álcool, maconha e cocaína. Comecei a freqüentar as noites, me envolvendo com más companhias, conhecendo morros, favelas, traficantes, armas; já não dormia mais em casa, deixando minha mãe preocupada. Já não me preocupava mais com o colégio, só queria saber de ficar nas ruas.
Mamãe falava que quando a policia nos pegasse e nos levasse para a Febem, ela iria nos deixar passar a noite lá, e foi o que aconteceu: a policia nos pegou com droga e nos levou para a Febem, lá passamos uma noite. Infelizmente isto não serviu de lição, porque nós não paramos de usar drogas, continuávamos a freqüentar os mesmos locais de sempre. Desesperada, mamãe se mudou para outro Estado e nos deixou sozinhos em um apartamento alugado. Ali a situação piorou ainda mais, pois colocávamos os nossos amigos para usar drogas e fazíamos muita bagunça. Foi quando os vizinhos não aguentaram e exigiram nossa saída do prédio. Fomos despejados! Então fui morar na rua.
Nesta época eu tentei parar de usar as drogas, buscando tratamento e arrumando um emprego. Depois de nove meses, voltei a freqüentar o bairro onde eu andava antes e com as pessoas que eu usava drogas e desta vez cai numa droga pior do que todas que eu usava, que era o crack! Fiquei três anos usando crack, trocando as minhas roupas, dinheiro que recebia. Perdi tudo de novo, estando em uma situação deplorável, sem emprego, viciado e roubando até os alimentos que minha mãe comprava, para trocar por crack.
Na rua novamente, desamparado e angustiado, um amigo da família me encontrou na rua. Ele já sabia como eu estava, pois minha mãe ligou para ele. Então ele me propôs uma internação no Desafio Jovem de Três Coroas, onde logo tomei uma decisão de mudar o rumo de minha vida. No dia 23 de junho de 2005 fui recebido com muito carinho e atenção no Desafio Jovem.
Tive muitas dificuldades, saudade da família, medo, choro... mas sempre reconheci a necessidade de mudança. Tinha vontade de largar tudo, desistir, mas perseverei, confiante que Deus me libertaria das drogas, mudaria o meu caráter. Foi assim que o tempo passou e alcancei a plena vitória sobre os vícios!
Depois do processo de recuperação já concluído, decidi residir no Desafio Jovem e integrar-me à equipe de voluntários como Intrutor de Padaria e Confeitaria, auxiliando outros a aprenderem o que lá dentro eu aprendi. Hoje minha mãe e meu irmão vêm me visitar, onde podemos agora nos abraçar, chorar juntos e conversarmos só coisas boas.